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MEIO AMBIENTE
Quarta - 17 de Agosto de 2011 às 15:52

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De março a junho é o período reprodutivo dos biguás, biguatingas e baguaris, no Pantanal de Mato Grosso.
De março a junho é o período reprodutivo dos biguás, biguatingas e baguaris, no Pantanal de Mato Grosso.
A região do Pantanal é um dos locais mais importantes para a reprodução de espécies de aves aquáticas no cone sul do continente americano. Considerada por pesquisadores e especialistas um refúgio, é uma área preferencial para o estabelecimento de ninhos e colônias desse grupo de aves. De março a junho é o período reprodutivo dos biguás, biguatingas e baguaris, no Pantanal de Mato Grosso.

Todos os anos, essas aves aquáticas se reúnem em várias regiões do Pantanal, formando colônias de reprodução conhecidas regionalmente por viveiros ou ninhais. Pelo sexto ano consecutivo uma equipe da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), integrada por técnicos da Superintendência de Biodiversidade, por meio das Coordenadorias de Fauna e Recursos Pesqueiros e de Unidades de Conservação; da Superintendência de Fiscalização, por meio da Coordenadoria de Fiscalização de Pesca e da Diretoria da Unidade Desconcentrada de Cáceres, foi a campo monitorar 28 ninhais pretos.

O analista de meio ambiente da Sema, Marcos Roberto Ferramosca Cardoso, explicou que o trabalho de mapeamento e monitoramento de ninhais no Pantanal é desenvolvido desde setembro de 2006, com o monitoramento nos períodos de cheia e seca do Pantanal mato-grossense.

No Pantanal, o período da cheia corresponde aos meses de março, abril, maio e junho e os meses considerados secos são julho, agosto e outubro. As colônias de nidificação de aves aquáticas em árvores - os viveiros ou ninhais -, podem ser formados por biguás, biguatingas e baguaris (ninhais pretos) ou por garças, colhereiros e cabeças-secas (ninhais brancos).

“O objetivo desse trabalho é mapear as áreas de ocorrência de ninhais na região do Pantanal, identificando as atividades que possam estar comprometendo a reprodução das aves e, a consequente conservação destas áreas visando o desenvolvimento do potencial turístico e a produção de material científico, informativo e educativo sobre esses ninhas”.

Este ano, no primeiro semestre, os técnicos observaram a maior ocorrência de aves reproduzindo em relação aos anos anteriores, inclusive com o registro de mais sete novos ninhais pretos. “Um deles se formou este ano dentro do Parque Estadual Encontro das Águas. Foi uma verdadeira explosão de vida selvagem, consagrando o Pantanal como um dos mais importantes sítios de reprodução e conservação de aves aquáticas do Brasil”, salientou Ferramosca.

De acordo com o técnico, um outro ninhal, muito pequeno, se formou há 400 metros da Transpantaneira. “Ele ocupa uma única árvore isolada, uma piúva, e foi encontrado por acaso, quando a equipe parou na rodovia para observar a paisagem de binóculo. Não sabemos como o ninhal vai se comportar no ano que vem. Somente com a observação e o monitoramento ao longo dos anos poderemos, talvez, responder como é a dinâmica destes ambientes, tão importantes para o turismo e, ao mesmo tempo, tão sensíveis e ameaçados”, disse ele ao lembrar que as queimadas criminosas, tão comuns nesta época do ano, são uma das principais ameaças para estas áreas.

Outro fenômeno observado este ano foi a antecipação do período reprodutivo da garça-branca-grande (Ardea alba). “Essa espécie costuma se reproduzir nos meses de junho-julho e até mesmo em maio, em alguns ninhais. Mas, este ano, observamos vários ninhais com garças já no início de abril, reproduzindo junto com os biguás, biguatingas e baguaris. Este ano os ninhais ficaram “cinzas”.

Também neste ano, graças ao sobrevoo realizado em 2010 pela equipe, foi possível monitorar por via terrestre mais dois ninhais descobertos no ano passado.

O monitoramento dos ninhais brancos (cabeças-secas, garças e colhereiros) está em andamento e terminará em setembro. “Esperamos que os resultados sejam tão bons quanto foi o monitoramento dos ninhais pretos”, concluiu Ferramosca.

Nesse trabalho, a Sema conta com a parceria e colaboração de várias fazendas, pousadas, hotéis, instituições e moradores da região do Pantanal. Os trabalhos são realizados nos municípios de Poconé, Barão de Melgaço, Nossa Senhora do Livramento e Cáceres. As atividades consistem na observação in loco do ninhal e no registro das informações em fichas individuais.

Entre os resultados desse trabalho, a Coordenadoria de Fauna e Recursos Pesqueiros está preparando uma publicação sobre os viveiros do Pantanal mato-grossense, com informações sobre ecologia e biologia, principais ameaças, potencial turístico, econômicos e didáticos, orientações, recomendações e propostas para os diferentes usuários (turistas, fazendeiros, guias, governo e outros).

BALANÇO

Em 2010, os técnicos da Sema fizeram, além do monitoramento via terrestre, o monitoramento aéreo dos ninhais. Todos os ninhais mapeados foram monitorados e fotografados em dois períodos distintos, na cheia e na seca, quando ocorrem atividades dos ninhais pretos e brancos, respectivamente.

No período de cheia foram localizados 41 ninhais dentre os quais 35 já haviam sido mapeados anteriormente. Nesse período foram registrados seis novos ninhais. Do total, foram registrados 24 ninhais pretos (21 ativos, dois inativos e um extinto). Quanto à atividade reprodutiva foram registradas entre as espécies biguás, biguatingas e baguaris.

No período de seca foram registrados um total de 42 ninhais que foram monitorados e fotografados (41 já anteriormente mapeados) e um novo ninhal. Nessa fase foram registrados 21 ninhais brancos (15 ativos, três inativos e três extintos) e atividade reprodutiva das espécies, cabeça-seca, garça-branca-grande e colhereiro.





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